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Curso de Teatro: Máscaras de Bali Filipe Crawford

A Técnica da Máscara trabalha a arte de representar do actor inspirando-se nas grandes formas tradicionais do Teatro Ocidental, como o Teatro Grego Antigo e a Commedia dell’Arte renascentista, mas também nas contribuições contemporâneas da mímica moderna e nos teatros Orientais de referência, dos quais Bali é um exemplo. Depois de um primeiro Curso dedicado à Commedia dell’Arte, iniciado em fevereiro, Filipe Crawford propõe-se agora abordar as máscaras do Teatro de Bali.

O Teatro/Dança de Bali é rico em performances utilizando máscaras. Estas performances estão intrinsecamente ligadas ao ritual e à religião, mantendo-se vivas e fazendo parte integrante da vida e dos costumes dos Balineses.

Embora hoje em dia os Balineses tenham uma religião monoteísta, o seu deus manifesta-se em toda os elementos e seres vivos da natureza, revelando uma crença animista. No entanto, a maioria dos espectáculos de teatro e dança tradicionais são inspirados na herança Hindu e contam episódios do Ramayana, o grande poema épico de referência.

As máscaras a utilizar nesta formação são, na sua maioria, máscaras do Topeng, género que mistura a dança e a mímica com a representação teatral. No Topeng contam-se episódios do Ramayana, dançados e mimados por actores que representam Nobres e Deuses. Estas mímicas e danças são traduzidas para uma linguagem comum por outros actores que representam entremezes cómicos, utilizando máscaras de aldeãos, os “Bondras”.

Aplicando a Técnica da Máscara às riquíssimas máscaras de Topeng, procura-se estimular os actores a criar personagens fictícias, inspiradas no universo de uma ilha remota e paradisíaca, e a contar histórias imaginárias que sugiram uma realidade intemporal e universal.

  • Datas: 18 de Junho a 24 de Julho
  • Apresentação final: 24 Julho
  • Duração: 30 horas
  • Horário: Segundas e Terças-feiras, das 20h00 às 23h00 (excepto dias 2 e 3 Julho, datas em que não haverá aula)
  • Participantes:  10 a 16
  • Preços:  150€ pelo curso completo (pagos no acto de inscrição)
  • Equipamento: roupa preta confortável, ténis ou sapatilhas e uma meia de mousse collant para a calote.

Escola da Máscara 

A Escola da Máscara é um projeto, criado por Filipe Crawford em 1997, que funcionou até 2012 no Teatro Casa da Comédia, realizando um Curso Anual de Técnica da Máscara. Neste curso eram abordados os princípios e regras da representação com máscara e trabalhadas as máscaras Neutras, Larvares e Expressivas, as Máscaras de Commedia dell’Arte e as do Teatro de Bali. Após 2012 a Escola da Máscara deixou de poder funcionar na Casa da Comédia e realizou mais dois cursos anuais em espaços cedidos e alguns workshops pontuais. Agora, com o apoio do Museu da Marioneta, pretende-se retomar a atividade da Escola da Máscara que já formou centenas de atores.


Filipe Crawford

Filipe Crawford introduziu a metodologia da Técnica da Máscara em Portugal em 1987, realizando os primeiros cursos na Fundação Calouste Gulbenkian. Discípulo de Mário González, Ariane Mnouchkine e Ferruccio Soleri, entre outros mestres do teatro de máscaras, fundou a companhia teatral Meia Preta com alunos seus em 1989. Em 1995 funda a FC Produções Teatrais e em 1997 nasce o projeto Escola da Máscara. Desde 1987 que os seus Cursos têm sido realizados nas principais escolas de teatro do país e também no estrangeiro, nos países de língua Lusófona e em Itália e Espanha. Em 2001 cria o Festival Internacional de Máscaras e Comediantes que, a par da apresentação de espetáculos do género, tem acolhido a realização de Estágios de Máscaras dirigidos por mestres de renome internacional, como Carlo Boso, António Fava, Adriano Yourissevich entre outros já citados.

Ao longo da sua carreira encenou vários espetáculos de Commedia dell’Arte e de Máscaras para várias estruturas teatrais, sobretudo para aquelas que formou, como “A História do Tigre” de Dario Fo, prémio Garrett em 1991 e “Cenas da Commédia dell’Arte”, Meia Preta 1993, “O Teatro Cómico” de Goldoni, para a Filandorra, 1997, “As Desventuras de Isabella” de Flaminio Scala, 2004, “Arlequim, Servidor de Dois Amos” de Carlo Goldoni, 2005, “Otário Doing em Portugal”, de Filipe Crawford e Filipe Abranches, 2005, “A Idade do Ouro” criação colectiva, 2009, “Os Três Capitães” criação coletiva, 2011, “A Ilha dos Deuses” – criação coletiva,  2012, todos estes últimos para a FC Produções Teatrais e, no último ano, “A última noite do Capitão” de Felipe Cabezas