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13 de Fevereiro 2026 a 19 de Abril 2026
60 anos de marionetas de animação da Letónia: estúdio animācijas brigāde
Na nova exposição temporária, o Museu da Marioneta abre as portas ao estúdio letão Animācijas Brigāde e dá a conhecer...+6 anos
O Museu da Marioneta é o primeiro museu em Portugal inteiramente dedicado ao universo da marioneta — à sua história, às suas técnicas e à divulgação do teatro de marionetas, com especial enfoque na marioneta em território nacional.
A coleção reúne peças oriundas de várias partes do mundo, representando diversas técnicas de manipulação e tipologias: marionetas de sombra, marionetas de luva (as mais populares na Europa, como os Robertos, os Guignol e os Punch & Judy), marionetas de fios da Europa, Índia, China e Birmânia, marionetas de vara (como os emblemáticos Bonecos de Santo Aleixo, do Alentejo) ou marionetas de manipulação mista, como os pupi italianos.
A marioneta em Portugal nas décadas de 1970 e 1980 — momento-chave no desenvolvimento desta arte — está particularmente bem representada, com marionetas criadas para diferentes dramaturgias: marionetas de manipulação à vista (como as criações de Helena Vaz, Marionetas de São Lourenço e O Diabo), bem como obras de autores como José Carlos Barros, Ildeberto Gama, Dalton Assef, entre outros. A coleção inclui ainda um surpreendente conjunto de marionetas Sogobó, em depósito pelo colecionador Francisco Capelo, oriundas do Mali. Existe também uma sala dedicada ao papel da marioneta no cinema de animação, com exemplares utilizados em filmes de stop motion.
Aberto a todos os públicos, o Museu partilha o conhecimento sobre a arte da marioneta através da exposição de longa duração e de uma forte ligação com marionetistas e criadores, promovendo tanto as formas tradicionais como as abordagens contemporâneas e inovadoras desta arte performativa.
O Serviço Educativo é um dos pilares fundamentais do Museu. Através de visitas, oficinas, projetos de longa duração e outras iniciativas, desenvolve atividades centradas na arte da marioneta, na sua criação, manipulação e cruzamento com outras linguagens artísticas, dirigidas a um público diversificado.
O Museu dispõe ainda de um centro de documentação especializado, aberto ao público mediante marcação prévia, que reúne fotografias, cartazes, documentação diversa e registos videográficos.
A antiga igreja do convento foi adaptada para funcionar como sala de espetáculos e espaço para exposições temporárias.
Missão
O Museu da Marioneta tem como missão o estudo, a preservação e a divulgação da arte da marioneta, com especial enfoque na marioneta em Portugal, promovendo o conhecimento e o diálogo com os públicos em torno deste universo artístico.
Este projeto, em constante desenvolvimento, assenta em duas vertentes complementares:
- A marioneta musealizada, que já não entra em cena e é apresentada num novo contexto — o do museu;
- A marioneta em ação, que, através de uma estreita relação entre o Museu, marionetistas e companhias de teatro de marionetas, continua a ganhar vida em palco e a trazer espetáculos ao espaço do Museu.
Esta ligação viva entre os criadores e o Museu é essencial para sensibilizar o público para a marioneta como património comum e transversal a praticamente todas as culturas.
Ao longo da história, a marioneta tem sido um comunicador privilegiado, capaz de dialogar com todos.
Breve História
O Museu da Marioneta, criado em 1987 pela Companhia de Marionetas de São Lourenço e inaugurado em 2001, está instalado no antigo convento das Bernardas, um convento de monjas da Ordem de Cister fundado em 1653 por iniciativa do rei D. João IV. Dois anos depois, em 1655, o convento foi fechado à clausura. A escadaria que conduz os visitantes às salas do museu revela bem como a arquitetura se adaptou à topografia do terreno — uma das particularidades do edifício, onde a igreja e o claustro se situam três pisos acima do nível da rua. As antigas salas capitulares, biblioteca e outras dependências conventuais são hoje as áreas expositivas do Museu.
O edifício sofreu graves danos com o Terramoto de 1755, tendo sido reconstruído e reocupado a partir de 1786. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, e a saída das últimas três freiras em 1850, o espaço teve diversos usos: foi colégio, cineteatro e, sobretudo, espaço de habitação. Em 1997, cerca de 700 pessoas ainda viviam no edifício, em condições extremamente precárias. Ao longo dos anos, o convento perdeu praticamente todos os seus elementos originais e tornou-se irreconhecível. O recheio da igreja e das áreas conventuais desapareceu por completo.
Em 1997, a Câmara Municipal de Lisboa adquiriu o imóvel e iniciou obras de recuperação e restauro, lançando um projeto pioneiro: transformar um espaço de clausura num espaço de cultura, encontros e diálogo, instalando ali o Museu da Marioneta. No piso superior do claustro, as antigas celas foram restauradas e adaptadas a habitação social, onde atualmente vivem 34 famílias.
Ao longo de mais de duas décadas, a coleção do Museu cresceu significativamente, não apenas através de aquisições, mas também graças a doações e depósitos de longa duração. Em 2024, o Museu recebeu uma importante doação de marionetas portuguesas das décadas de 1970 e 1980, da autoria de alguns dos mais originais criadores da época: José Carlos Barros, Ildeberto Gama e Dalton Assef. Nesse mesmo ano, o Museu Nacional do Teatro depositou em regime de longa duração o conjunto de marionetas do espetáculo Retábulo de Dom Quixote, produzido entre 1978 e 1985.
Atualmente, o acervo do Museu reúne mais de 3.000 peças provenientes de várias partes do mundo, das quais mais de 500 se encontram em exposição.
No início de 2025, o circuito expositivo permanente foi renovado, com o objetivo de integrar todas as recentes aquisições e doações, dando particular destaque à marioneta portuguesa — reforçando assim a missão do Museu enquanto espaço de preservação, estudo e celebração desta arte.